sexta-feira, 22 de junho de 2012

Esporte ou Transporte?


100 anos atrás, pouco depois de sua invenção, dirigir um automóvel era um esporte reservado a ricos aventureiros. Os ingleses e alemães do início do século passado, com seus bonés xadrez, óculos de proteção e uma charmosa echarpe no pescoço, percorriam os caminhos de então a bordo de veículos que exigiam considerável conhecimento e habilidade para serem conduzidos com sucesso.
Muito mudou nesses cento e tantos anos. Os automóveis evoluíram, tornando-se muito mais práticos, seguros e simples de dirigir. Os automóveis modernos são quase utensílios domésticos, uma máquina que quase todos têm e sabem operar. As quatro rodas lhe conferem grande estabilidade estática e dinâmica, e vários aperfeiçoamentos, como motores confiáveis, câmbio automático, freios servo-assistidos eletronicamente controlados, e direção hidráulica, o transformaram num produto extremamente bem sucedido e num dos pilares do desenvolvimento econômico do século 20.
O automóvel, que antes era usado na prática de um esporte, passou a ser usado como meio de transporte. Mesmo o automobilismo esportivo, que ainda sobrevive, tem nos últimos tempos acentuado a tendência no sentido de diminuir a importância dos pilotos em favor da tecnologia empregada – aerodinâmica, eletrônica, monitoramento remoto do desempenho do carro de corrida, etc.
As motocicletas, logo após sua invenção, tiveram uma história parecida. Pilotá-las era um esporte que exigia muito conhecimento e habilidade, e, devido às suas características próprias, talvez demandassem ainda mais perícia, e certamente sujeitavam o piloto a riscos maiores, que os automóveis.
Também as motocicletas evoluíram nesses 100 anos, mas sua evolução foi um pouco diferente da dos automóveis. Tornaram-se, igualmente, mais confiáveis, mais confortáveis, e mais práticas; todavia, continuam exigindo muito conhecimento e habilidade para serem conduzidas com competência, e continuam sujeitando seus pilotos a grandes riscos, sobretudo no trânsito das grandes cidades e em estradas públicas.
O motociclismo continua sendo, até hoje, um esporte – e talvez por isso seja tão apaixonante!
Motocicletas são como aviões: se o piloto não souber o que está fazendo, elas acabarão caindo. Sua instabilidade intrínseca (são só duas rodas), e sua grande capacidade de aceleração e frenagem, não impedem que sejam usadas como meio de transporte; mas elas exigem de seus pilotos um nível de conhecimento e habilidade – perícia – que é característico da prática de um esporte. E de um esporte perigoso!
Este fato não é devidamente enfatizado.
As motocicletas são anunciadas e compradas como se aprender a pilotá-las fosse muito fácil; e como se fosse possível a seus proprietários adquirir a necessária perícia e experiência nas vias públicas, enfrentando o trânsito de automóveis, caminhões e ônibus.
O processo de habilitação de motociclistas também adota esta premissa. O exame teórico verifica principalmente o conhecimento das leis de trânsito. O exame prático requer do candidato que mantenha a motocicleta equilibrada; que percorra, a baixa velocidade, uma pistinha desenhada no pavimento de um estacionamento ou de qualquer outra área pavimentada e deserta; e que pare e saia novamente com a motocicleta. Conseguindo passar nestes dois exames, ele receberá sua carteira de habilitação. Terá, então, autorização legal para imediatamente pegar uma estrada e desfrutar do prazer de pilotar uma moto em velocidade. 
É quase como ensinar alguém a nadar jogando-o numa piscina funda e o abandonando à própria sorte. Ou permitir que alguém aprendendo a pilotar um avião, com apenas instrução teórica sobre o funcionamento dos controles e comandos e com pouca experiência prática, se aventure em seu primeiro voo solo. Só para pegar o jeito...
Repito – motociclismo é um esporte! Não se deve pilotar uma motocicleta pensando em suas obrigações do dia, ouvindo rádio, falando no celular ou fazendo qualquer outra coisa que desvie a atenção da atividade de pilotar a moto. Mais cedo ou mais tarde, e quase sempre mais cedo, vai dar besteira!
As motocicletas podem e devem, devido às vantagens que oferecem, ser usadas como meio de transporte.
Mas não se aventure a pilotar uma moto nas ruas e estradas, enfrentando o trânsito de outros veículos, se não tiver recebido instrução detalhada sobre seu comportamento dinâmico: o efeito giroscópico das rodas, e sua influência no equilíbrio da moto; o countersteering (contra-esterço), que é a forma mais precisa, rápida e fácil de mudar a direção de uma moto; a grande transferência de peso para roda dianteira durante a desaceleração e frenagem, e como isso desestabiliza a moto; a grande transferência de peso para roda traseira durante a aceleração, e como isso estabiliza a moto; e o papel da roda traseira na mudança de direção da motocicleta.
Só então, depois de ter tomado conhecimento destas informações e técnicas, e de ter treinado o suficiente para desenvolver sua habilidade, você terá a perícia necessária para se considerar um motociclista, e poderá usar sua motocicleta como meio de transporte. 

domingo, 20 de maio de 2012

Programa Alexandre Garcia GloboNews - Motos x Acidentes no Trânsito

Semana passada tive a oportunidade de participar do Programa Alexandre Garcia na GloboNews, que abordou o assunto Motos x Acidentes no Trânsito no Brasil. O convite do Alexandre foi inesperado e gratificante, e as pessoas com quem falei que assistiram o programa parecem ter gostado muito. Tendo interesse e tempo, confiram o resultado através do link http://g1.globo.com/globo-news/alexandre-garcia/videos/t/todos-os-videos/v/brasil-busca-formas-de-reduzir-o-numero-de-mortes-no-transito/1940698/

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Marco Simoncelli

Não dá para deixar de comentar o acidente do Simoncelli, em que o simpático italiano lamentavelmente perdeu a vida aos 24 anos de idade.

Mas, antes, quero registrar a opinião do Giacomo Agostini (08 vezes campeão mundial) sobre o acidente, que lí no Facebook. Segundo ele, não foi a moto que caiu, foi o piloto - quando uma moto escorrega e cai, ela vai para fora da curva, e não para dentro, como aconteceu. O Marco aparentemente caiu de cima da moto para dentro da curva, e continuou tentando se segurar em cima dela, fazendo com que a moto viesse para dentro da curva e fosse atingida pelas motos que vinham atrás.

Resta saber porque ele caiu, e porque caiu para dentro da curva (contra a força centrífuga, que empurrava ele e a moto para fora da curva). Provavelmente nunca saberemos ao certo. Mas uma possibilidade assustadora é a seguinte.

Jamais entendi essa história de tirar o pé do pedal interno imediatamente antes de tomar uma curva, introduzida pelo Rossi há mais de um ano e hoje adotada por vários pilotos da MotoGP - inclusive o Simoncelli. A única razão que consigo imaginar para adotar esta esquisita "técnica" é transferir mais peso para o pedal externo em relação à curva. Sabidamente, a transferência de mais peso para o pedal externo contribui muito para estabilizar a moto durante uma curva, e, por não ser natural e intuitiva, requer muita atenção, treino e prática para ser executada. Tirando o pé do pedal interno, o piloto só consegue se movimentar em cima da moto usando o pedal externo como apoio, automaticamente transferindo mais peso para o mesmo.

Ao mesmo tempo, acho muito difícil acreditar que pilotos da MotoGP precisem recorrer a este perigoso artifício para conseguir transferir mais peso para o pedal externo. Digo perigoso porque pode um dia acontecer do pé não voltar exatamente para o pedal, ou de escorregar do pedal durante a manobra. O Valentino deve provavelmente ter começado esta brincadeira para mexer com a cabeça dos demais competidores.

Isto poderia explicar o que aconteceu com o Marco. Se seu pé escapou do pedal interno, é possível que esta tenha sido a razão de ele cair para dentro da curva. E se seu pé ficou preso entre o pedal e o asfalto, pior ainda. Não só seu peso aumentou a inclinação da moto, fechando a curva no processo, mas também o atrito do seu pé/pedal com o asfalto funcionou como pivô, ou âncora, girando a moto sobre este ponto.

Como disse, provavelmente nunca saberemos ao certo. Todavia, se na próxima corrida, alguns pilotos começarem a parar de empregar essa "técnica", talvez tenha sido exatamente isso que aconteceu. Lamentavelmente.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A Atenção do Motociclista

Um aspecto freqüentemente esquecido, e muito importante, é que o principal componente do conjunto moto/piloto não é o motor, o freio, ou a suspensão da moto.

É o cérebro do motociclista. E, em especial, sua mente, a parte consciente do órgão mais complexo e sofisticado já criado pela natureza, onde reside nossa capacidade de pensar e de prestar atenção.

O objeto da atenção de um piloto é o elemento-chave que determinará seu desempenho como motociclista. Infelizmente, nossa atenção é finita: cada indivíduo tem certa quantidade para usar. Temos certa quantidade de atenção assim como temos certa quantidade de dinheiro. Alguns têm mais, outros têm menos.

Imagine que você tem 100 unidades de atenção para usar. Se empregar 50 unidades em um só aspecto de pilotar uma moto, restarão 50 unidades para todos os demais aspectos. Um motociclista inexperiente vai, provavelmente, gastar 90 unidades só para operar a moto – soltar a embreagem, acelerar, trocar as marchas, fazer uma curva, e assim por diante - sobrando apenas 10 unidades para a rua, pedestres, tráfego de outros veículos etc.

Alguns motociclistas acham que, com tempo e experiência, certas ações – como trocar as marchas, por exemplo – tornam-se automáticas. Não é bem assim. Eles simplesmente estão empregando menos atenção para executá-las. Isto conduz à boa pilotagem. Quanto maior o número de ações que o piloto conseguir reduzir ao custo de poucas unidades de atenção, mais atenção sobrará para dedicar a coisas mais importantes. E isso só se consegue através de estudo, treino e experiência.

O que não entendemos sempre requer mais atenção. Toda vez que surge um fato ou uma situação que não compreendemos, fixamos nossa atenção nesse fato ou situação. Faz parte de um processo mental inconsciente, que nos ajuda a entender o mundo a nossa volta. Uma situação cujo desfecho não conseguimos prever nos assusta, e o medo ou pânico custam 99 unidades de atenção.

É preciso entender o comportamento de uma moto em movimento, e quais as técnicas, e cuidados, que levam a uma pilotagem segura e de qualidade. O princípio geral com relação à melhoria de pilotagem deve ser:

Simplificar as ações e operações de pilotar uma moto, definindo o que é básico, e dominá-las para que usem o mínimo possível de atenção.

Dominar as ações e operações significa entendê-las (como funcionam e porquê) e, através de treino e prática, torná-las tão familiares que jamais haverá dúvidas quanto ao que fazer em determinada situação, e quais os resultados que serão obtidos, usando só uma pequena parcela de nossa atenção.

Poucas coisas são tão divertidas e emocionantes como andar de moto. A sensação de liberdade, a proximidade e intimidade com o ambiente, a aceleração e o prazer de explorar e descobrir nossos limites, e os limites da máquina que estamos pilotando.

Basta aprender a fazer isso direito!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Countersteering

Feliz e Próspero 2011!

Este é um período de importantes resoluções e decisões. Além das costumeiras resoluções de ano novo (fumar menos, beber menos, fazer mais exercícios), um amigo me enviou uma muito boa, atribuída ao Luís Fernando Veríssimo - "Em 2011 vou fazer tudo para chegar a 2012"! Parece piada, mas hoje em dia pode ser uma ótima resolução.

Na edição de Dezembro da revista Duas Rodas, publiquei um anúncio referente ao livro Motociclismo Avançado, que parece estar chamando bastante atenção. Curiosamente, as publicações especializadas brasileiras não têm noticiado a publicação do livro, apesar dos meus inúmeros esforços enviando para as editoras "releases" e exemplares impressos para conhecimento e divulgação.

Todavia, tenho notado que, pela primeira vez, as revistas brasileiras de motociclismo têm mencionado assuntos (tratados no livro) que nunca havia visto antes nas mesmas. Entre eles, e talvez o mais importante, está a referência à técnica do Countersteering (ou Contraesterço).

Dirigir uma motocicleta, conseguir que ela mude de direção segundo nossa vontade e que siga na direção que desejamos, é uma das duas manobras mais importantes para se pilotar com segurança - a outra é conseguir que a moto pare sob o nosso comando. Contudo, pouco ou nada se fala, ou se explica, sobre o countersteering em revistas nacionais. O que não é o caso das revistas estrangeiras, que, em toda oportunidade, mencionam e explicam o funcionamento desta importante técnica de pilotagem de motos.

Para conseguir que uma moto faça uma curva, acima de 25/30 km por hora, basta incliná-la na direção que se quer seguir - a moto fará a curva sozinha. E a maneira mais fácil, rápida e precisa de inclinar uma moto é fazendo pressão no guidão na direção oposta à direção que se quer seguir!

Funciona ao contrário. Vire o guidão levemente para a esquerda e a moto se inclinará para a direita, iniciando uma curva para a direita; aumente a pressão para virar o guidão à esquerda, e a inclinação da moto se acentuará, fechando o raio da curva para a direita. Em uma curva aberta e longa, percorrida em velocidade e sob aceleração, mantenha a pressão constante no guidão no sentido contrário da curva e você evitará que a moto tente se levantar, como normalmente faz por ação da força centrífuga, abrindo o raio que percorre no processo.

É fácil imaginar a quantidade de acidentes que resultam do desconhecimento deste fato básico - a partir de certa velocidade, se o motociclista virar o guidão para um lado, a moto iniciará uma curva para o lado contrário.

A explicação completa quanto ao funcionamento da técnica do countersteering, e os cuidados e exercícios para testá-la e treiná-la são apresentados em detalhe no livro Motociclismo Avançado, que naturalmente recomendo que todos os possíveis interessados leiam.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Rossi e o Pé fora do Pedal

No mês de Junho passado, na postagem sobre a MotoGP em Silverstone, eu escrevi:

"Vamos falar um pouco sobre a novidade introduzida pelo Rossi há algumas corridas - aquela coisa de tirar o pé do pedal interno imediatamente antes de mudar a direção da moto para tomar uma curva. Eu, pessoalmente, tenho a impressão que é mais uma gozação do Valentino. Só para mexer com a cabeça dos outros pilotos, e fazê-los adotar uma técnica que não tem nenhum resultado objetivo. Aliás, se não me engano, foi o próprio engenheiro-chefe do Rossi que cronometrou as voltas em que ele tirava o pé do pedal, e as voltas em que ele não tirava o pé do pedal, para conferir se havia alguma diferença. Não havia."

Muito bem - eu continuo sem entender a possível vantagem de tirar o pé do pedal interno imediatamente antes de mudar a direção da moto para tomar uma curva. Mas revendo a sensacional batalha entre Rossi e Lorenzo pelo 3º lugar no Japão, eu confirmei a impressão (que tive ao assistí-la pela primeira vez) que durante a disputa o Valentino usou e abusou da brincadeira de tirar o pé do pedal. Em certos momentos, inclusive, quase raspando o pé no asfalto, o que se acontecer pode resultar em um sério desequilíbrio da motocicleta. E notei também que ele faz isso com mais frequência e exagero com o pé direito. O pé que aciona o freio traseiro.

Não vou aqui repetir a análise que fiz desta "técnica" na postagem mencionada acima. Mas peço que, se alguém tiver alguma idéia do porquê ele faz isso (enquanto o Lorenzo, quase ou tão talentoso quanto ele, pilotando uma moto praticamente igual, não faz), me ajude a entender o possível benefício de um procedimento perigoso que, se for imitado por pessoas com menos talento que um piloto profissional de MotoGP e em um pavimento menos regular do que o de uma pista de competição de nível internacional, pode resultar em um grave acidente!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Bienal do Livro x Manual do Motociclista

A experiência com o lançamento do Manual do Motociclista na Bienal do Livro foi muito interessante. Mas pudemos perceber, o editor e eu, um problema que já vinha chamando nossa atenção há algum tempo, e que foi possível comprovar na Bienal.

O brasileiro, e os jovens em especial, rejeitam "Manuais". Entendem que são publicações que tratam de aspectos elementares/básicos (no sentido negativo) a respeito de determinado assunto - algo que todo mundo sabe, ou deveria saber, e se alguém não sabe é porque é bobo. Isso se aplica a qualquer manual - de carros, motos, aparelhos eletroeletrônicos, e até de computadores. O "esperto" é não ler o manual - isso é coisa p'ra trouxa.

Quando eu conseguia explicar o conteúdo do Manual do Motociclista para um visitante na Bienal, ele invariavelmente se surpreendia e se interessava, muitas vezes comprando o livro em seguida. Mas a reação inicial era sempre "eu não preciso um manual sobre motociclismo, ando de moto há 2, 5 ou 10 anos"! E ao longo da conversa, ficava claro que havia muito que ele não sabia, e que o ajudaria muito se soubesse.

Confesso que nesse caso fui traído por minha formação norte-americana - nos Estados Unidos, um dos maiores sucessos editoriais de todos os tempos é a série "The Complete Idiot's Guide to ..........". São centenas de manuais, muito detalhados e muito bem escritos por reconhecidos autores sobre cada disciplina, que esclarecem e orientam os leitores sobre um abrangente conjunto de assuntos, como por exemplo Astronomia, Teoria Musical, a Nova Ordem Mundial, e muitos outros. Incluem desde temas cotidianos (Como Escrever Criativamente) até matérias complicadíssimas (a Teoria das Cordas, uma teoria ainda em desenvolvimento sobre a física de partículas que procura reconciliar a mecanica quântica com a teoria da relatividade geral).

Todavia, o exemplo não é muito bom, pois os americanos são sabidamente ingênuos e simplórios. O fato de seu País (que foi descoberto em 1492, só 8 anos antes do Brasil) ser a maior potência econômica do mundo, com um Produto Interno Bruto que representa cerca de 1/3 do PIB mundial, que é 3 vezes maior que o PIB do 2º colocado e quase 10 vezes maior que o PIB do Brasil, decorre de uma maldosa combinação de caprichos divinos.

Mas esta é uma outra história, que fica para uma outra vez. O fato é que decidimos mudar o título do livro de Manual do Motociclista para Motociclismo Avançado. O novo título é um pouco mais pretensioso que gostaria, mas pela pesquisa feita ele sugere ao possível leitor que talvez exista algo sobre pilotagem de motos que ele pode eventualmente não conhecer.

Os livros impressos a partir de agora já terão o novo título. E sendo assim, o título do blog também será mudado para Motociclismo Avançado, e o endereço do blog passará a ser http://www.motociclismoavancado.blogspot.com/